quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Feliz natal
Pois bem, é verdade que já a algum tempo que não escrevo devido ao trabalho intenso que tenho tido e a um ou outra situação que me tem impedido de cá vir, mas o meu regresso fica desde já agendado para dia 1 de Janeiro. A partir daí prometo voltar ao activo e escrever sempre que possível as novidades que vão aparecendo.
Por enquanto resta-me desejar um óptimo natal para todos e que o novo ano apenas vos traga o equivalente à bondade e boa-vontade que demostram na vossa vida!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Percebo o facto de todas estarem preocupadas com a minha ausência mas não se preocupem que não se passa nada de muito grave.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
30 de Outubro de 2009
O fim-de-semana são dois dias. Quando penso nestes dois pequenos momentos de prazer, associo ao regresso a casa, ao estar com a família, ao descansar… tudo ideia erradas. Os fins-de-semana são agora passados a estudar e a realizar trabalhos atrasados, e o tempo para estar com a família é pouco ou nenhum. Com tudo isto, penso ser fácil perceber o porquê de quase não ter tempo para escrever no meu blog. Há muitas coisas para contar, mas é-me quase impossível fazê-lo sem que com isso comprometa qualquer outra tarefa que tenha agendada.
Estar em Vila Real começa a ser suportável. Ainda não consigo chegar ao meu quarto e sentir-me em casa, mas com uma diminuição abrupta do ritmo das praches ( segundo os doutores, temporária) já consigo ir para a universidade sem suores frios e expectativa em relação às humilhações a sofrer. Os telefonemas para casa continuam a ser diários e tão cedo não mudarão, porque de facto esses momentos em que contacto com a família são os únicos em que me sinto verdadeiramente bem ao longo do dia.
A minha mãe continua igual. Teve mais uma sessão de quimioterapia e infelizmente, ao contrário do que aconteceu na primeira sessão, sofre bastante nos dois dias seguintes. De qualquer das formas continua a enfrentar a doença de forma directa e nunca pensa em desistir.
A minha avó regressou ontem a casa. Continua de cama porque a bacia, mesmo depois da operação, ainda não lhe permite andar. Tememos que esta condição se torne permanente, mas de qualquer das formas é bom tê-la de volta a casa. Já não a via há 3 semanas e será bom revê-la amanhã.
Este fim-de-semana são os Santos em Chaves! Adoraria passar por lá, dar uma volta pelas tendas, quem sabe andar em algum carrocel e até rever alguns amigos que por á deixei do ano passado… mas infelizmente, mais uma vez tenho o fim-de-semana tão sobrecarregado que será quase impossível sair de casa.
O natal está longe… só a 18 de Dezembro terei férias… entretanto lá vou matando o corpo á medida que o cansaço se apodera de mim. Nada que não se aguente. É caso para dizer: Bem vindo à universidade.
30 de Outubro de 2009
O fim-de-semana são dois dias. Quando penso nestes dois pequenos momentos de prazer, associo ao regresso a casa, ao estar com a família, ao descansar… tudo ideia erradas. Os fins-de-semana são agora passados a estudar e a realizar trabalhos atrasados, e o tempo para estar com a família é pouco ou nenhum. Com tudo isto, penso ser fácil perceber o porquê de quase não ter tempo para escrever no meu blog. Há muitas coisas para contar, mas é-me quase impossível fazê-lo sem que com isso comprometa qualquer outra tarefa que tenha agendada.
Estar em Vila Real começa a ser suportável. Ainda não consigo chegar ao meu quarto e sentir-me em casa, mas com uma diminuição abrupta do ritmo das praches ( segundo os doutores, temporária) já consigo ir para a universidade sem suores frios e expectativa em relação às humilhações a sofrer. Os telefonemas para casa continuam a ser diários e tão cedo não mudarão, porque de facto esses momentos em que contacto com a família são os únicos em que me sinto verdadeiramente bem ao longo do dia.
A minha mãe continua igual. Teve mais uma sessão de quimioterapia e infelizmente, ao contrário do que aconteceu na primeira sessão, sofre bastante nos dois dias seguintes. De qualquer das formas continua a enfrentar a doença de forma directa e nunca pensa em desistir.
A minha avó regressou ontem a casa. Continua de cama porque a bacia, mesmo depois da operação, ainda não lhe permite andar. Tememos que esta condição se torne permanente, mas de qualquer das formas é bom tê-la de volta a casa. Já não a via há 3 semanas e será bom revê-la amanhã.
Este fim-de-semana são os Santos em Chaves! Adoraria passar por lá, dar uma volta pelas tendas, quem sabe andar em algum carrocel e até rever alguns amigos que por á deixei do ano passado… mas infelizmente, mais uma vez tenho o fim-de-semana tão sobrecarregado que será quase impossível sair de casa.
O natal está longe… só a 18 de Dezembro terei férias… entretanto lá vou matando o corpo á medida que o cansaço se apodera de mim. Nada que não se aguente. É caso para dizer: Bem vindo à universidade.
sábado, 17 de outubro de 2009
17 de Outubro de 2009
A minha avó voltou a cair e desta vez partiu a bacia. Está no hospital desde quarta-feira.
Não sei que contar mais. Está tudo na mesma, a minha mãe está bem, o resto da família também. Eu lá continuo com a porcaria das minhas praxes e com a minha disposição de moribundo.
Estou demasiado revoltado com a vida e com os azares que tem trazido à minha família. Quero descançar de tudo isto, meter-me num sítio onde possa ficar durante muito tempo sem ver, ouvir ou fazer nada, só para descançar a cabeça dos problemas e preocupações que me acompanham todos os dias.
Mais uma vez obrigado a todos aqueles que todas as semanas pessam pelo blog para dar algum apoio.
Passarei de novo quando estiver mais bem disposto para continuar com a descrição da minha enfadonha vida.
domingo, 4 de outubro de 2009
4 de Outubro de 2009
A distancia é algo muito duro e todos sentimos os seus efeitos mais cedo ou mais tarde. É como um muro intransponível que se cria entre nós e aqueles que mais gostamos e que sabemos que não podemos ultrapassar. Telefonemas, fotografias, tudo serve para tentar amenizar os seus efeitos, mas a verdade é que por mais que queiramos, há sempre um bichinho que remói o nosso interior e que só acalma no momento em que finalmente podemos voltar a casa, mesmo que a visita pareça sempre demasiado curta.
A segunda semana longe de casa, pensei eu, seria mais fácil de suportar que a primeira. Grande engano. As praxes continuam em cima de mim em grande peso. Os doutores continuam com fome de caloiros e os disparates, situações estúpidas e brincadeiras sem sentido são mais que muita. Nós, caloiros, estamos a atingir o nosso limite. Não podemos estudar, não temos tempo para tratar dos nossos assuntos pessoais… enfim, se isto são as praxes de que tanto se fala, então o meu espírito académico é muito baixo, porque não consigo sentir qualquer excitação ao participar nelas. O pior no meio disto tudo são as saudade de casa. E sinto muitas. Enquanto de dia ando empenhado em todo o frenesim de aulas e praxes, consigo esquecer um pouco esse sentimento, mas quando chego a casa à noite e entro no meu quarto, o facto de estar sozinho, longe de tudo o que conhecia, sem ninguém para me receber, para me dizer boa-noite, tudo isso me deixa triste e sem vontade de continuar. A minha mãe teve quimioterapia na terça-feira e à noite, quando falei com ela, estava muito abalada porque supostamente foi mal recebida e tratada por uma médica no IPO e foi a chorar que me disse que lhe faço falta nestes momentos. Para quem está com todo estes abalos emocionais, ouvir algo assim não é fácil. Simplesmente não tenho cabeça para suportar as praxes neste momento. Ouvir insultos, servir de carrasco a meia dúzia de indivíduos dementes e estar preocupado com o que se passa em casa ao mesmo tempo não é possível. Já pensei em desistir… já pensei em contar a minha situação a um doutor… não sei o que hei-de fazer. Esta semana foi a semana das barraquinhas, o que traduzido significa a primeira semana de bebedeiras da universidade. Todos os meus colegas de curso (ou grande parte deles) apanharam grandes bebedeiras e regozijam-se disso. Para mim é estranho e até incomodo porque não estou habituado a um ambiente deste tipo nem me ínsito de forma alguma nele. Bebi um mini apenas para não desagradar a quem ma ofereceu e tive de ajudar duas colegas embriagadas a chegar a casa. Saber que será este o ambiente em que me vou entregar nos próximos seis anos é algo constrangedor. É um facto, sinto-me deslocado, num sitio que mal conheço, com pessoas a quem ainda não posso chamar amigos, longe da minha antiga vida.
Passei o fim-de-semana a estudar porque não tenho tempo ao longo da semana. Hoje a minha irmã chegou ao meu quarto e começou a chorar a dizer que tem saudades minhas e que não quer que eu vá embora. Quer que eu fique em casa todos os dias como fazia entes. É demais. Como posso ter coragem para ir embora na terça-feira? Como posso ter força para sair do conforto do lar, deixar a minha mãe doente para trás, dizer adeus à minha irmã, meter-me num quarto que não é meu e enfrentar as bestas que são os doutores e as suas estúpidas praxes?
Perguntas que têm uma única resposta: sendo forte. Mas estou numa daquelas épocas em que toda a força se escapou de mim….
sábado, 26 de setembro de 2009
26 de Setembro de 2009
As praxes foram bastante difíceis de aguentar, principalmente no 1.º dia. Foi horrível. Levantar-me sozinho numa cidade desconhecida, chegar a um local onde nunca entrara, dar de cara com gente nova que começa a grita comigo obrigando-me a ajoelhar-me em frente deles sem perceber muito bem porquê foi uma experiencia difícil de aguentar. Posso dizer sem mentir que no 1.º dia fui a pessoa mais praxada de entre todos os colegas. Foi-me colocada uma fita na cabeça e passei a ser o caloiro Rambo. A partir daí passei o dia a rastejar no chão, a gritar ordens de guerra entre outras pérolas. É difícil para quem ouve perceber como nos sentimos mal num dia assim, mesmo que contado pareçam coisas simples e fáceis de realizar. Quando cheguei ao meu quarto nessa noite só pensava em desistir de tudo. Ao longo da semana as coisas foram melhorando. Na terça-feira tivemos o nosso despique musical contra outro curso e ficamos empatados. Na quarta tivemos uma aula fantasma (uma professora falsa tratou-nos abaixo de cão e exigiu que comprássemos microscópios individuais perante a nossa cara de choque) e também a praxe suja (horrível. Fomos cobertos por milhares de líquidos estranhos como leite, iogurtes, óleo, azeite, vinagre, ketchup, arroz, ovos e muitas outras coisas que nem sei identificar. Quase entupi a canalização nessa noite ao tomar banho) e quinta-feira tivemos uma especial de serenata na cidade, o que foi a experiencia mais agradável até agora. Sexta não houve praxe. Não quer dizer que ao longo da semana os doutores tenham baixado a guarda ou que tenhamos sofrido menos. Simplesmente habituei-me ao estilo das praxes, percebi qual o objectivo e deixei de ter tanta vergonha ao fazer o que me mandam. Passamos os dias inteiros com os doutores: desde as oito da manhã à meia-noite (ou depois disso). Almoçamos e jantamos juntos e no fim das praxes somos acompanhados a casa. O bom no meio disto tudo é que apenas em cinco dias já se criaram amizades entre os caloiros que de outra forma nunca apareceriam. Já conheço todos os meus colegas, apesar de ainda não saber todos os nomes. Soube-me divinalmente chegar a casa ontem, rever os meus pais e a minha irmã e dormir na minha cama de novo. Pena é que Sábado tenha passado tão rápido e só me reste mais um dia antes de regressar a Vila Real.
Tenho telefonado todos os dias à minha mãe antes de dormir, geralmente muito tarde e por isso tenho-me mantido a par das novidades. Já colocou a peruca ontem, pelo que quando cheguei a casa já a vi de visual renovado. E fiquei surpreendido: a peruca é de facto idêntica ao cabelo original e se não soubesse de antemão o que iria encontrar, poderia facilmente ter confundido com um novo corte de cabelo. Ela afirma sentir-se um pouco apertada com a peruca na cabeça, mas está a reagir bem à mudança, tal como tem reagido a tudo. Agora que tem o cateter colocado (também foi colocado ontem) terá outra sessão de quimioterapia dia 29. Pelos vistos o braço tem-lhe doido muito menos e sentiu o tumor na mama diminuir consideravelmente. Claro que só a opinião do médico poderá dizer alguma coisa mas eu estranho uma diminuição perceptível tão rápida. Quem sabe o tratamento esteja a ter um efeito muito bom e o tumor reduza o tamanho mais rápido do que se espera.
De resto tudo está na mesma. Todos os vizinhos e amigos me perguntaram como se passou a semana de praxe e a minha irmã, afirmando ter tido muitas saudades não me largou um minuto. A minha avó melhorou bastante e voltou ao seu estado normal antes da queda.
A vida corre normalmente e até já me parece normal estar a seleccionar as calças mais sujas que tenho no armário para segunda levar para as praxes.