sábado, 2 de janeiro de 2010

Regresso - 2 de Janeiro de 2010


Pois é, como prometido voltei. Tenho de pedir mais uma vez desculpa por me ter ausentado durante tanto tempo sem ter explicado nada a ninguém mas o importante agora é que vou tentar retomar a velha rotina do blog com as minhas escritas diárias (ou semanais quando regressar à faculdade).
Já estamos em 2010. Parece que foi ontem que comecei este blog e já lá vão quase 8 meses. Passou-se tanta coisa neste espaço de tempo... muitas delas são do vosso conhecimento dado que as expus sucintamente neste blog desde junho até Outubro, ficando nas sombras tudo o que se passou desde então até hoje. É muito difícil contar tudo de uma vez porque os promenores são em demasia. No entanto tenarei resumir os aspectos mais importantes e contarei o resto à media que for escrevendo noutros dias e os assunto assim o exija.
Comecemos então pelo assunto central deste blog: a minha mãe. Como sabem, quando deixei de escrever andava ela a viver as horrendas sessões de quimioterapia e a sofrer com as respectivas consequencias: a perda do cabelo, as alterações hormonais, aumento de peso, mudanças de humor, fadiga quase permanente... um sem fim de situações que se prelongaram ao longo destes meses que nao os expus. Entrentato mudou de tratamento, supostamente para um menos agressivo mas que pelois vistos também tem algumas consequencias negativas a longo prazo, ao contrário do inicial cujos resultados nefastos eram imediatos. A maior parte destas informações foi-me, infelizmente, passada pelo telefone. Estar longe dela nestes momentos tem sido o mais dificil para mim. A habituação a Vila Real e a rotica fatigante do curso que não me deixa muito tempo para pensar em mais nada acaba por tornar suportável a saudade de casa e da família, mas não saber o que se passar com ela, não poder estar presente na quimioterpia e ouvir os efeitos de que padece sem poder sequer dar um carinho reconfortante pessoalmente é muito difícil de suporatar. No passado dia 28 fui com ela ao Porto e acompanhei-a durante a quimioterapia. Foi estranho voltar àquele hospital e reviver a doença que se respira em todos os corredores, mas pretenco acompanhá-la nas próximas duas sessões que se realizarão em Janeiro (estou de férias até dia 8 de Fevereiro :)). Tal como disse faltam duas sessões de quimioterapia antes da nova consulta de grupo para averiguar o que se fazer de seguida. O tumor diminui de tamanho de forma incrivel. Está tão pequeno que numa consulta que fez a algumas semana lhe perguntaram se já tinha sido operada. Não sei o que segnifica esta diminuição mas creio que será bom. Veremos o que virá a seguir.
A restante família... penso estar tudo na mesma. Está tudo bem com o meu pai e com a minha irmã e tirando o estado acamado da minha avó desde a fatídica queda, tudo caminha nos conformes.
Quanto a mim... bem já terminei o primeiro semestre da faculdade e nem me apercebi disso. Foi de facto muito cansativo. Depois das praxes, chegou o peso do estudo que me ocupou cada segundo livre e me obrigou a uma quantas noites mal dormidas. Mas apesar de tudo não correu mal e apesar de ainda não saber a nota de algumas frequencias que fiz na ultima semana, penso ter passado a todas as cadeiras. Terei apenas um exame de anatomia dia 22 de janeiro que decidi fazer deivo à falta de preparação que senti no dia da frequencia. Estou a adorar o curso e não vejo a hora de pertir para disciplinas mais práticas, dado que até agora tem sido bastante teórico devido às disciplinas base.
Depois de três meses cansativos, o natal foi uma época bem-vinda. Este ano recebemos as minhas tias e a minha prima mais nova vindas de frança. A conçoada e a passagem de ano foi vivida com ambiente familiar e sob uma reconfortante queda de neve que nos visitou muitas vezes nas ultimas semanas. Mas como tudo o que é com acaba depressa, as férias estão a acabar e a rotina prepara-se para se instalar á na próxima segunda-feira.
E pronto, entre tantas coisas para contar, foi disto que me lembrei: Haverá certamente muitos outros promenores, mas nestes momentos nunca nos lembramos de tudo. De resto, promero recomeçar a minha jornada neste blog e contar tudo o que de relevante se vai passando na minha vida e com a minha mãe, tal como prometi quando criei nesta página.
Por fim, e como não tive oportunidade para o fazer:
Um óptimo 2010 para todos!







quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz natal

Cada vez me surpreendo mais com a quantidade de pessoas queridas que visita o meu blog, mesmo depois da ausência que mostrei nos últimos tempos. Obrigado a todos.
Pois bem, é verdade que já a algum tempo que não escrevo devido ao trabalho intenso que tenho tido e a um ou outra situação que me tem impedido de cá vir, mas o meu regresso fica desde já agendado para dia 1 de Janeiro. A partir daí prometo voltar ao activo e escrever sempre que possível as novidades que vão aparecendo.
Por enquanto resta-me desejar um óptimo natal para todos e que o novo ano apenas vos traga o equivalente à bondade e boa-vontade que demostram na vossa vida!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Olá!
Percebo o facto de todas estarem preocupadas com a minha ausência mas não se preocupem que não se passa nada de muito grave.
Já mandei vários e-mails a algumas visitantes do blog (nomeadamente e isalenca) mas penso que ela não os deve ter recebido porque não repondeu e não atendeu ao pedido que lhe fiz. Penso que o problema residirá no facto de ter enviado a mensagem via blog o que poderá ter tido alguma falha. Peço portanto à isalenca que coloque aqui o seu mail para eu poder contactar com ela e assim poder-lhe explicar o que se passa (e pedir-lhe amavelmente que depois explique às restantes visitantes a situação).
Os melhores cumprimentos para todas :)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

30 de Outubro de 2009

O tempo… ai o tempo. Não se será um mal inerente a toda a humanidade, mas o facto é que para mim, o tempo é tão fugaz que é irritante tentar organizar seja lá o que for que necessite de algum empenho prolongado. Sempre foi assim: exceptuando períodos de férias em que o tempo chega para tudo porque não há horários a cumprir, nas restantes alturas do ano ando quase sempre aflito com a falta de tempo em confronto com as mil e uma tarefas para cumprir.
Quem já passou pela universidade sabe que a partir de uma determinada data, as frequências, mais os trabalhos, mais os relatórios, mais os trabalhos de casa e mais uma ou duas actividades que sempre surgem pelo meio são tantos que é desesperante tentar resolver tudo de uma vez. Ao longo da semana é tudo demasiado rápido. As aulas duram de manhã à noite e quando se chega a casa está-se geralmente demasiado cansado para fazer seja o que for. Isto aliado às praches que teimam em não acabar (apesar de menos intensas) faz com que quase tudo seja empurrado para o fim-de-semana onde pensamos sempre ter mais tempo do que aquele que realmente temos.
O fim-de-semana são dois dias. Quando penso nestes dois pequenos momentos de prazer, associo ao regresso a casa, ao estar com a família, ao descansar… tudo ideia erradas. Os fins-de-semana são agora passados a estudar e a realizar trabalhos atrasados, e o tempo para estar com a família é pouco ou nenhum. Com tudo isto, penso ser fácil perceber o porquê de quase não ter tempo para escrever no meu blog. Há muitas coisas para contar, mas é-me quase impossível fazê-lo sem que com isso comprometa qualquer outra tarefa que tenha agendada.
Estar em Vila Real começa a ser suportável. Ainda não consigo chegar ao meu quarto e sentir-me em casa, mas com uma diminuição abrupta do ritmo das praches ( segundo os doutores, temporária) já consigo ir para a universidade sem suores frios e expectativa em relação às humilhações a sofrer. Os telefonemas para casa continuam a ser diários e tão cedo não mudarão, porque de facto esses momentos em que contacto com a família são os únicos em que me sinto verdadeiramente bem ao longo do dia.
A minha mãe continua igual. Teve mais uma sessão de quimioterapia e infelizmente, ao contrário do que aconteceu na primeira sessão, sofre bastante nos dois dias seguintes. De qualquer das formas continua a enfrentar a doença de forma directa e nunca pensa em desistir.
A minha avó regressou ontem a casa. Continua de cama porque a bacia, mesmo depois da operação, ainda não lhe permite andar. Tememos que esta condição se torne permanente, mas de qualquer das formas é bom tê-la de volta a casa. Já não a via há 3 semanas e será bom revê-la amanhã.
Este fim-de-semana são os Santos em Chaves! Adoraria passar por lá, dar uma volta pelas tendas, quem sabe andar em algum carrocel e até rever alguns amigos que por á deixei do ano passado… mas infelizmente, mais uma vez tenho o fim-de-semana tão sobrecarregado que será quase impossível sair de casa.
O natal está longe… só a 18 de Dezembro terei férias… entretanto lá vou matando o corpo á medida que o cansaço se apodera de mim. Nada que não se aguente. É caso para dizer: Bem vindo à universidade.

30 de Outubro de 2009

O tempo… ai o tempo. Não se será um mal inerente a toda a humanidade, mas o facto é que para mim, o tempo é tão fugaz que é irritante tentar organizar seja lá o que for que necessite de algum empenho prolongado. Sempre foi assim: exceptuando períodos de férias em que o tempo chega para tudo porque não há horários a cumprir, nas restantes alturas do ano ando quase sempre aflito com a falta de tempo em confronto com as mil e uma tarefas para cumprir.
Quem já passou pela universidade sabe que a partir de uma determinada data, as frequências, mais os trabalhos, mais os relatórios, mais os trabalhos de casa e mais uma ou duas actividades que sempre surgem pelo meio são tantos que é desesperante tentar resolver tudo de uma vez. Ao longo da semana é tudo demasiado rápido. As aulas duram de manhã à noite e quando se chega a casa está-se geralmente demasiado cansado para fazer seja o que for. Isto aliado às praches que teimam em não acabar (apesar de menos intensas) faz com que quase tudo seja empurrado para o fim-de-semana onde pensamos sempre ter mais tempo do que aquele que realmente temos.
O fim-de-semana são dois dias. Quando penso nestes dois pequenos momentos de prazer, associo ao regresso a casa, ao estar com a família, ao descansar… tudo ideia erradas. Os fins-de-semana são agora passados a estudar e a realizar trabalhos atrasados, e o tempo para estar com a família é pouco ou nenhum. Com tudo isto, penso ser fácil perceber o porquê de quase não ter tempo para escrever no meu blog. Há muitas coisas para contar, mas é-me quase impossível fazê-lo sem que com isso comprometa qualquer outra tarefa que tenha agendada.
Estar em Vila Real começa a ser suportável. Ainda não consigo chegar ao meu quarto e sentir-me em casa, mas com uma diminuição abrupta do ritmo das praches ( segundo os doutores, temporária) já consigo ir para a universidade sem suores frios e expectativa em relação às humilhações a sofrer. Os telefonemas para casa continuam a ser diários e tão cedo não mudarão, porque de facto esses momentos em que contacto com a família são os únicos em que me sinto verdadeiramente bem ao longo do dia.
A minha mãe continua igual. Teve mais uma sessão de quimioterapia e infelizmente, ao contrário do que aconteceu na primeira sessão, sofre bastante nos dois dias seguintes. De qualquer das formas continua a enfrentar a doença de forma directa e nunca pensa em desistir.
A minha avó regressou ontem a casa. Continua de cama porque a bacia, mesmo depois da operação, ainda não lhe permite andar. Tememos que esta condição se torne permanente, mas de qualquer das formas é bom tê-la de volta a casa. Já não a via há 3 semanas e será bom revê-la amanhã.
Este fim-de-semana são os Santos em Chaves! Adoraria passar por lá, dar uma volta pelas tendas, quem sabe andar em algum carrocel e até rever alguns amigos que por á deixei do ano passado… mas infelizmente, mais uma vez tenho o fim-de-semana tão sobrecarregado que será quase impossível sair de casa.
O natal está longe… só a 18 de Dezembro terei férias… entretanto lá vou matando o corpo á medida que o cansaço se apodera de mim. Nada que não se aguente. É caso para dizer: Bem vindo à universidade.

sábado, 17 de outubro de 2009

17 de Outubro de 2009

Peço desculpa pela falta de notícias mas o meu tempo tem sido pouco e a disposição também.
A minha avó voltou a cair e desta vez partiu a bacia. Está no hospital desde quarta-feira.
Não sei que contar mais. Está tudo na mesma, a minha mãe está bem, o resto da família também. Eu lá continuo com a porcaria das minhas praxes e com a minha disposição de moribundo.
Estou demasiado revoltado com a vida e com os azares que tem trazido à minha família. Quero descançar de tudo isto, meter-me num sítio onde possa ficar durante muito tempo sem ver, ouvir ou fazer nada, só para descançar a cabeça dos problemas e preocupações que me acompanham todos os dias.
Mais uma vez obrigado a todos aqueles que todas as semanas pessam pelo blog para dar algum apoio.
Passarei de novo quando estiver mais bem disposto para continuar com a descrição da minha enfadonha vida.

domingo, 4 de outubro de 2009

4 de Outubro de 2009

A distancia é algo muito duro e todos sentimos os seus efeitos mais cedo ou mais tarde. É como um muro intransponível que se cria entre nós e aqueles que mais gostamos e que sabemos que não podemos ultrapassar. Telefonemas, fotografias, tudo serve para tentar amenizar os seus efeitos, mas a verdade é que por mais que queiramos, há sempre um bichinho que remói o nosso interior e que só acalma no momento em que finalmente podemos voltar a casa, mesmo que a visita pareça sempre demasiado curta.

A segunda semana longe de casa, pensei eu, seria mais fácil de suportar que a primeira. Grande engano. As praxes continuam em cima de mim em grande peso. Os doutores continuam com fome de caloiros e os disparates, situações estúpidas e brincadeiras sem sentido são mais que muita. Nós, caloiros, estamos a atingir o nosso limite. Não podemos estudar, não temos tempo para tratar dos nossos assuntos pessoais… enfim, se isto são as praxes de que tanto se fala, então o meu espírito académico é muito baixo, porque não consigo sentir qualquer excitação ao participar nelas. O pior no meio disto tudo são as saudade de casa. E sinto muitas. Enquanto de dia ando empenhado em todo o frenesim de aulas e praxes, consigo esquecer um pouco esse sentimento, mas quando chego a casa à noite e entro no meu quarto, o facto de estar sozinho, longe de tudo o que conhecia, sem ninguém para me receber, para me dizer boa-noite, tudo isso me deixa triste e sem vontade de continuar. A minha mãe teve quimioterapia na terça-feira e à noite, quando falei com ela, estava muito abalada porque supostamente foi mal recebida e tratada por uma médica no IPO e foi a chorar que me disse que lhe faço falta nestes momentos. Para quem está com todo estes abalos emocionais, ouvir algo assim não é fácil. Simplesmente não tenho cabeça para suportar as praxes neste momento. Ouvir insultos, servir de carrasco a meia dúzia de indivíduos dementes e estar preocupado com o que se passa em casa ao mesmo tempo não é possível. Já pensei em desistir… já pensei em contar a minha situação a um doutor… não sei o que hei-de fazer. Esta semana foi a semana das barraquinhas, o que traduzido significa a primeira semana de bebedeiras da universidade. Todos os meus colegas de curso (ou grande parte deles) apanharam grandes bebedeiras e regozijam-se disso. Para mim é estranho e até incomodo porque não estou habituado a um ambiente deste tipo nem me ínsito de forma alguma nele. Bebi um mini apenas para não desagradar a quem ma ofereceu e tive de ajudar duas colegas embriagadas a chegar a casa. Saber que será este o ambiente em que me vou entregar nos próximos seis anos é algo constrangedor. É um facto, sinto-me deslocado, num sitio que mal conheço, com pessoas a quem ainda não posso chamar amigos, longe da minha antiga vida.

Passei o fim-de-semana a estudar porque não tenho tempo ao longo da semana. Hoje a minha irmã chegou ao meu quarto e começou a chorar a dizer que tem saudades minhas e que não quer que eu vá embora. Quer que eu fique em casa todos os dias como fazia entes. É demais. Como posso ter coragem para ir embora na terça-feira? Como posso ter força para sair do conforto do lar, deixar a minha mãe doente para trás, dizer adeus à minha irmã, meter-me num quarto que não é meu e enfrentar as bestas que são os doutores e as suas estúpidas praxes?

Perguntas que têm uma única resposta: sendo forte. Mas estou numa daquelas épocas em que toda a força se escapou de mim….