segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Carla Damásio mostrou-se uma grande ajuda quando me enviou vários documentos com concelhos e informações práticas que auxiliam e informam de forma simples, mas enficaz, todos os assuntos que se relacionam com o cancro. A seu pedido publico aqui os documentos para que todos possam fazer download e usufruir do excelente trabalho desta senhora.
Mais uma vez obrigado à enfermeira Carla!



domingo, 9 de agosto de 2009

Dia 09 de Agosto de 2009

Não posso deixar de agradecer mais uma vez todo o apoio que me tem sido dado neste blog. É muito reconfortante vir aqui postar todas as minhas raivas, inseguranças, frustrações (e de vez em quando também alegrias) e ouvir bons concelhos, perceber que muitos outros enfrentam os mesmos problemas que outros e acima de tudo, perceber que há um grupo de pessoas no mundo que se preocupa connosco. Muito obrigado!
Respondendo a algumas questões que me foram dirigidas nos comentários ao post anterior:
- Até agora NINGUÉM nos explicou o problema que a minha mãe tem no ombro. Temos sido mandados de um lado para outro, fazer exames aqui, mostrá-los acolá e assim sucessivamente sem que alguém tenha o bom senso de nos dar uma explicação. Eu li o relatório que acompanhava a ressonância magnética e percebi que havia suspeita de metástase óssea. A médica com que falamos na sexta também se referiu ao problema do ombro como um “aglomerado de células tumorais” portanto concluo que será mesmo uma metástase que se formou. Mas repito que não tenho a certeza porque ainda ninguém nos explicou.
- Aguardarei alguns dias (poucos) para que a prima da minha mãe possa falar com o médico e IPO e para saber o que este pode resolver. Caso a resposta seja negativa, claro está que não cruzaremos os braços e tentaremos outras opções porque esperar um mês pela consulta é tão ridículo quanto improvável. Caso tenhamos que tentar outras opções seguirei os concelhos que aqui me têm sido dados.
Falando da minha vida nestes dias: Hoje houve mais uma festa na aldeia. Desta vez foi a inauguração da nova sede da junta de freguesia. Houve banquetes, música e animação noite dentro. Sai de casa ao levantar e só voltei de madrugada. Comi, dancei e distrai-me, o que tem sido o meu principal objectivo nos últimos tempos. A minha mãe foi bombardeada com milhares de perguntas dos aldeães que pensavam que lhe daria já os resultados da consulta de grupo. Esta curiosidade, que já foi debatida neste blog várias vezes, é normal. O problema surge quando há indivíduos sem um pingo de bom senso e que iniciam discursos que ao invez de consolar o doente, o fragilizam ainda mais. Encontrei a minha mãe com os olhos húmidos de lágrimas a falar com uma senhora que lhe contava como a sua mãe morrera há dois anos com cancro no útero enquanto não se cansava de repetir “mas tu vãos conseguir”, “não vais morrer como a minha mãe”… Haja paciência porque eu já nem sei o que dizer nestes casos.
No sábado tive, tal como dissera, um casamento. Amanhã terei outro. Esta época é sempre muito rica neste tipo de celebrações. Ando sempre mais cansado mas também serve para me abstrair dos problemas.
Há quem diga que um azar nunca vem só, e eu acredito. O meu cão, o Rex, partiu uma pata. Ou pelo menos assim parece. Chegou a casa a mancar, não consegue pousar a pata no chão e esta parece balouçar quando ele está de pé. É o cão da família há cerca de dez anos e parte-me o coração só de o ver assim. amanhã teremos de o levar ao veterinário para ver o que se pode fazer. Aqui está a foto do meu cãozinho:

Agora uma boa notícia: inscrevi-me no concurso “Ídolos” da sic e recebi uma mensagem a informar-me que deverei ir ao porto no dia 22 de Agosto para prestar uma prova de voz. Ainda não sei se irei tentar a minha sorte no concurso mas estou muito tentado e mostrar os meus dotes vocais ao júri do concurso.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

07 de Agosto de 2009

O dia de hoje acabou por ser completamente oposto aquilo que imaginei. A consulta de grupo foi um fracasso e uma total perda de tempo. Ainda não nada do que vamos fazer nos próximos tempos porque não nos foi explicado nada. Confusas? Passo a explicar.

Ao chegar ao porto a minha mãe teve de fazer um electrocardiograma que já estava marcado. Não demorou mais de dez minutos. Chegamos à clínica da mama antes da hora mas fomos atendidos de imediato. Entramos para as salas de espera interiores cerca de quinze minutos antes da hora marcada. Tal de nada serviu, dado que esperamos cerca de duas horas para entrar na consulta de grupo (é desesperante esperar tanto tempo. Sei que é comum nos hospitais, mas de qualquer das formas é irritante esperar sem saber se é normal ou se ouve algum problema e simplesmente se esqueceram de nós). Finalmente fomos chamados e entramos na sala das consultas de grupo. Esperamos alguns minutos (intensos e de grande expectativa) e finalmente uma médica entra nada sala. E ao invés de nos dizer, como esperávamos, os procedimentos que iríamos seguir para tratar do cancro, disse-nos o seguinte:

“Esse braço está muito mau. Queríamos começar radioterapia localizada no ombro mas temos receio de o partir ao retirar as células tumorais (pelo que percebi a pequena metástase está a servir de suporte ao ombro (?)). Terá de marcar uma consulta com o ortopedista para que ele dê o seu parecer e aì terá uma nova consulta de grupo. Até lá, nada de mexer esse ombro”.

Neste momento já imperava algum descontentamento mas o pior estava para vir. Primeiro tivemos de esperar mais uma hora pelos exames que a enfermeira nos trouxe. De seguida, tentativa de marcar a consulta com o ortopedista, ouvi-mos a seguinte frase por parte da funcionária:

“Só terá consulta para 7 de Setembro. O ortopedista está de férias”

7 DE SETEMBRO? ORTOPEDISTA DE FÉRIAS? Mas o que é isto? Falta um mês para essa data. Não podemos esperar um mês para ter uma consulta no ortopedista, principalmente depois de a médica ter especificado que a consulta era urgente. E que é isto de o ortopedista estar de férias? Só há um ortopedista no IPO? Ridículo, simplesmente despropositado e ridículo.

A funcionária propôs-se a tentar marcar para uma data anterior mas não mostrou grande esperança. E lá voltamos de novo para casa, como pouco ou nada resolvido, a não ser a revolta perante aquilo que nos está acontecer. O cancro da minha mãe, tendo dado origem a metástases, está numa fase avançada. Esperar mais um mês poderá não ter qualquer consequência mas poderá dar origem a novas metástases ou complicações maiores. Há milhares de pessoas com problemas no IPO, eu sei, mas não posso deixar de me sentir revoltado com tudo isto. E o sentimento de incapacidade é demasiado forte.

A prima de minha mãe que conhece um médico no IPO prometeu falar com ele para tentar acelerar as coisas. É a chamada “cunha”. Pessoalmente não gosto de cunhas, considero-as o símbolo da imoralidade social, mas nestas alturas temos de nos agarrar a tudo o que houver para ultrapassar as situações. Espero que o médico consiga fazer algo porque esperar um mês pela consulta será mau de mais.

Amanhã tenho um casamento para fazer (a parte musical, claro) e não estou nem um pouco com disposição para tal. Terei de ir, claro, mas a minha cabeça está demasiado cheia de assuntos mais importantes e sei que não estarei concentrado no meu serviço.

Alguém perguntou num comentário o nome da minha mãe. Chama-se Lucília Duarte Damásio.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

06 de Agosto de 2009

Hoje foi o aniversário da minha mãe. 45 aninhos, considero esta idade exactamente a meia-vida, o votar da página, a separação entre uma fase que englobou a infância, adolescência e inicio de vida a dois e uma nova vida que culminará com a velhice. Claro que ainda é cedo para falar em velhice, mas eu adoro estes desabafos filosóficos que por vezes me ocorrem sem saber muito bem de onde vêm.
De manhã tive de ir a chaves para a minha aula de condução (prefiro muito mais a nova instrutora, apesar de a condução na cidade ser muito mais exigente e complicada). Da tarde tive de tratar de todos os preparativos para a festa de aniversário: tive de percorrer a aldeia para falar com todos os convidados para a festa ela de preparar a garagem onde foi realizada a festa. Ainda me aventurei na cozinha e experimentei uma receita nova que acabou por ser muito bem aceite durante o banquete de aniversário (houve até quem me disse que eu deveria desistir da carreira de veterinário e enveredar pela de cozinheiro). A festa de aniversário correu muito bem. Toda a família e alguns convidados presentes, quilos de comida daquela que não se deve comer mais de uma vez por ano. Depois de uma sessão fotográfica e a da entrega de presentes o meu pai surpreendeu todos ao acender fogo-de-artifício que comprara para a ocasião. Para terminar a noite em beleza ainda nos dirigimos a Boticas para ver um concerto do Quim Barreiros (Pessoalmente já o tinha visto ao vivo, mas a minha mãe não). Penso que tudo correu nos conformes e que fiz muito bem em organizar a festa para felicitar a minha mãe. Gostaria de postar uma ou duas fotos da festa mas não consigo ligar a máquina ao computador (este material informático…)
Amanhã será um longo dia. A minha mãe tem a consulta de grupo às 11 horas mas antes disso ainda tem de fazer um electrocardiograma. Só amanhã saberemos realmente o que nos espera. Tal como o aniversário da minha mãe é um virar de página, também este dia será um elo de mudança da nossa vida. Há um medo latente de cada vez que se fala na consulta de amanhã. Medo do desconhecido, medo do que está para vir. Ando a temer este dia há muito tempo. Não o tenho referido, eu próprio me tenho tentado abstrair do assunto com as 1001 actividades que tenho feito nos últimos dias mas o receio está cá. O medo de entrar na consulta com a tua mãe e ouvir notícias péssimas; a vaga esperança de, pelo contrário, ouvir boas-novas… tudo isto se dissolverá amanhã quando ouvir-mos a verdade. A sentença aproxima-se e se quisermos reutilizar a analogia bélica que referi outrora, chegou a altura de o nosso exército formar o contra-ataque inicial contra o cancro. E só espero que, seja qual for o sistema de batalha escolhido, a minha mãe esteja preparada para ver o seu corpo transformar-se no campo de batalha.
E não posso deixar de dizer: PARABENS MÃE!!!!!!!!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

04 de Agosto de 2009

Hoje passei grande parte do dia em frente ao computador a tentar descobrir informações sobre o cancro ósseo originado por metastização. Fiquei preocupado quando descobri (ou pelo menos foi isso que percebi) que este tipo de cancro é incurável e que o seu tratamento pode unicamente ser paliativo e continuo ao longo da vida. Como por vezes estas informações são difíceis de entender e de interpretar devido à linguagem demasiado técnica utilizada por quem a expõe, quem melhor do que já passou por estes problemas para me explicar?

Há alguma das queridas visitantes do meu blog que tenha tido metástases ósseas? Gostaria de saber se o tratamento nestes casos foi possível e se sim, que técnicas foram utilizadas.

De resto não tenho mais nada a falar sobre o meu dia. Banal. Amanhã vou a chaves para ter a minha primeira aula de condução na cidade e para comprar um presente para a minha mãe, tarefa difícil dado que não faço a mínima ideia do que irei comprar.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

03 de Agosto de 2009

Hoje fui com o meu tio Zé e com a minha mãe a chaves. Acordei tardíssimo, já perto do meio-dia (depois de ontem me ter deitado tarde e cansado) e fui mesmo sem almoçar. Fomos falar com o ortopedista que nos deu os resultados da ressonância magnética que deveremos levar para o porto no dia 7. O médico não se adiantou em grandes explicações sobre os resultados dos exames, mas eu estive a ler a ficha escrita que sempre acompanha estes documentos e consegui perceber algumas coisas. Estava explícito que há a possibilidade de a lesão no ombro (que era repetitivamente referida no documento como grave) poderá ter origem numa metástase do cancro na mama. Não é nada que eu não estivesse à espera e certamente que no dia 7 também nos irão explicar isso (devido ao exame aos ossos que fizeram, irão chegar a estes mesmos resultados). São más notícias, é claro, mas no fundo fico aliviado. Sendo uma metástase do cancro principal, estamos a lidar com o mesmo problema e não com outro mais grave que iria atrapalhar no tratamento principal ao cancro da mama.
Passei na escola de condução e usai alguma artimanhas (posso ser bastante persuasivo se assim o quiser ) para convencer a secretária a mandar-me para chaves já esta semana. Assim sendo irei ter aula de condução quarta à tarde e quinta de manhã longe de Boticas e do meu instrutor “querido”. A minha mãe fartou-se de me avisar de que há a possibilidade de encontrar um outro ainda pior, mas espero sinceramente que tal não aconteça.

domingo, 2 de agosto de 2009

02 de Agosto de 2009

É tarde, bastante tarde até. Já é de madrugada e decidi passar pelo blog para contar o que se passou nestes dois dias em que me mantive ausente da blogosfera.

Como já havia referido este foi o fim-de-semana da festa da minha aldeia. No sábado, devido a compromissos profissionais (tive de actuar eu próprio noutra festa) não pude estar presente mas hoje fiz questão de assistir/participar em todas as actividades da festa.

Esta festa é típica e igual a tantas outras pelo país fora. Missa, procissão constituída por dezenas de andores e uma banda que a acompanha, durante a tarde algumas actividades lúdicas como rancho e chegas de bois (esta última dispenso e continuo sem perceber qual a diversão aqui encontrada, mas cada um sabe o que gosta de ver) e mais uma actuação da banda musical. Por fim, há o característico bailarico de verão onde todos dançam, desde o menino de tenra idade até à senhora idosa que em dias normais não ousaria sequer levantar um pé do chão. São de facto dias divertidos e diferentes numa aldeia destas onde pouco ou nada de novo acontece. De facto, fartei-me de dançar. Não dava um pé de dança desde o baile de finalista (e parece que já foi há tanto tempo. Foi no dia 5 de Junho, há quase dois meses) e hoje decidi desforrar. Só tive muita pena de não poder dançar com a minha mãe. Todos os anos dançava com ela, nem que fosse uma só música. Este ano, como não pode mexer o braço, não foi possível. Mas já prometi a mim mesmo que para o ano iremos desforrar.

Este fim-de-semana ficou também marcado pela chegada de todos ou quase todos os emigrantes da aldeia. Vindos de todas as partes do mundo chegam nos dias das festividades e mantêm-se até ao fim do mês. Chegaram também a minha tia Arlete e os meus Padrinhos. A família está quase toda reunida.

Como não podia deixar de ser, a chegada de todos estes emigrantes representa uma nova enchente de questões e sobre o estado de saúde da minha mãe, sendo que a frase característica agora é “Já me tinham contado, mas eu nem quis acreditar sem confirmar primeiro”. Enfim, é algo a que temos de nos habituar porque será constante até que este pesadelo termine.

É tarde, muito tarde e eu estou tremendamente cansado e com vontade de dormir. Hoje foi um dia de extremos. Esqueceram-se os problemas e viveram-se os momentos da forma mais intensa possível. Amanhã regressamos ao mundo real. Tenho de começar imediatamente a organizar a festa de aniversário porque só tenho três dias antes do aniversário da minha mãe.